Ainda há quem trate programas de ética e integridade como uma exigência regulatória, um item de checklist ou uma proteção para tempos de crise. Eu vejo de outro modo. Quando uma organização investe de forma consistente em ética, ela melhora a qualidade das decisões, fortalece a confiança e cria condições mais sólidas para crescer com estabilidade.

O Prêmio World’s Most Ethical Companies®, da Ethisphere (aqui), reforça essa percepção ao mostrar que empresas reconhecidas por suas práticas éticas e de compliance apresentaram desempenho superior ao de um benchmark global ao longo de cinco anos. Mais do que isso, essas companhias também demonstraram maior resiliência em momentos de estresse. Para mim, esse é um ponto que merece a sua atenção: ética não aparece apenas quando tudo vai bem; ela se prova, sobretudo, quando o ambiente piora.

Os dados indicam uma performance acumulada superior em 8,2 pontos percentuais entre 2021 e 2025. Também mostram uma queda máxima 7,1% menor, recuperação 10,1% mais rápida até o retorno aos picos anteriores e 14,4% menos tempo em terreno negativo. Em outra frente, o estudo aponta captura de 104% da alta do mercado e exposição equivalente a 97% das perdas nas quedas, além de retorno excedente positivo em 65% das janelas móveis de 12 meses observadas nos últimos cinco anos.

Eu gosto especialmente da mensagem por trás desses números. Um programa de ética e integridade bem estruturado não elimina riscos, nem impede oscilações econômicas. O que ele faz é reduzir surpresas, dar mais consistência à governança, proteger ativos intangíveis e sustentar respostas melhores sob pressão. Em linguagem simples, ele ajuda a empresa a não perder o rumo quando as circunstâncias exigem escolhas difíceis.

Outro aspecto relevante está dentro da própria operação. As empresas destacadas pela Ethisphere sinalizam maturidade em governança, estrutura do programa, padrões escritos, treinamento, comunicação, gestão de riscos, incentivos, cultura ética, gestão de terceiros e mensuração de impacto. Eu entendo esse conjunto como uma vantagem prática: quando a integridade está distribuída pelos processos, ela deixa de ser discurso e passa a orientar comportamento, liderança e tomada de decisão.

Para você que lidera, aconselha ou participa da construção desses programas, a lição é direta. Ética e integridade não devem ser tratadas apenas como proteção reputacional. Elas também contribuem para desempenho, continuidade e confiança. Em um mercado cada vez mais orientado por reputação, cultura e capacidade de atravessar turbulências, isso faz diferença real.

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Denise Debiasi é CEO da Bi2 Partners, reconhecida pela expertise e reputação de seus profissionais nas áreas de compliance e inteligência investigativa, finanças corporativas, consultoria regulatória (AML, BSA e LGPD), contabilidade forense, Due Diligence (financeiro, reputacional, investigativo e operacional), investigações corporativas, antilavagem de dinheiro, FCPA e anticorrupção, entre outros serviços de primeira importância em mercados emergentes.